Argentina — Argélia: por que acreditar na margem curta
Nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, às 22h00 BRT, Argentina e Argélia abrem o Grupo J da Copa do Mundo em Kansas City. Os atuais campeões são favoritos, claro, mas o contexto apresenta detalhes que o mercado parece estar subestimando. A linha de handicap +1,5 para os argelinos carrega valor justamente por essas nuanças.
Defesa argentina: um setor remendado
O principal ponto de atenção está no lado esquerdo da defesa. A lesão de Nicolás Tagliafico, com uma ruptura no sóleo sofrida contra Honduras, força uma improvisação. Facundo Medina ou Lisandro Martínez devem ocupar a lateral esquerda, posição que não é a deles de origem. Enquanto isso, a ausência de Balerdi, cortado do torneio, reduz ainda mais as opções de zaga. Scaloni deve escalar Romero e Lisandro como dupla de zaga, mas a recomposição defensiva fica menos fluida com um lateral adaptado.
Além disso, Dibu Martínez volta de uma fratura no dedo da mão direita. Scaloni confirmou que ele está disponível e deve jogar, mas é natural pensar que o goleiro pode não estar 100% confiante em situações de contato. A Argélia tem jogadores como Mahrez e Aït-Nouri que podem testar esse lado, especialmente em transições rápidas.
Argélia: confiança e pragmatismo
Do outro lado, a Argélia chega embalada. A vitória sobre a Holanda por 1 a 0, com grande atuação de Luca Zidane, mostrou que a equipe sabe se defender e finalizar nos momentos certos. O empate sem gols contra o Uruguai em março, com um esquema 3-4-2-1, reforça a capacidade de se fechar contra seleções sul-americanas fortes. O técnico Petkovic já deixou claro que não subestima a Argentina, mas que tem um plano A e um plano B para o jogo.
A linha defensiva argelina, com Bensebaïni e Mandi como pilares, tem mostrado solidez. Luca Zidane está em boa fase e pode ser o diferencial em noites de pressão. No ataque, a velocidade de Gouiri e a qualidade de Mahrez são armas para explorar justamente as laterais argentinas. A postura deve ser de bloco baixo e espera por erros.
Um jogo de xadrez tático
A tendência é que a Argentina tenha mais posse de bola e tente furar o bloqueio. Messi e Almada vão buscar espaços entre as linhas, mas a compactação defensiva da Argélia dificulta goleadas. O próprio Scaloni, em entrevista, tratou a estreia com respeito, lembrando que a primeira partida não é decisiva. Isso pode levar a uma gestão de esforços, sem necessidade de buscar um placar elástico.
Do lado argelino, um ponto já seria um grande resultado, mas perder por apenas um gol também manteria o saldo de gols positivo para a disputa do grupo. Petkovic já apontou a Áustria como o principal rival pela segunda vaga, então não há razão para se abrir contra os campeões. A lógica do jogo aponta para um placar apertado, onde a vitória argentina, se vier, será por margem estreita.








