Argentina — Argélia: campeã pode vencer sem atropelar
A bola rola em 16 de junho de 2026, 22:00 BRT, pela Copa do Mundo FIFA, e o mercado trata a Argentina como dona da mesa. Justo: é a campeã, tem Messi esperado entre os titulares, meio-campo de elite e Scaloni sem clima de laboratório. Mas uma coisa é favoritismo; outra, bem diferente, é pedir que o time já chegue passando o trator como se fosse treino aberto com churrasquinho depois.
O ponto central do palpite está aí. A Argentina deve controlar a partida, circular a bola, empurrar a Argélia para trás e escolher os momentos de acelerar. Só que o desenho do jogo não grita massacre. O próprio contexto de estreia costuma trazer aquele futebol mais medido, com o freio de mão ali do ladinho, porque ninguém quer começar o torneio tropeçando no próprio entusiasmo.
A Argélia tem plano para não virar passageira
A Argélia de Vladimir Petkovic não chega para fazer pose na foto e ir embora. A tendência é um bloco baixo ou médio, com linha de cinco sem a bola, centro protegido e saída rápida quando aparecer espaço. Mahrez, Gouiri e Amoura dão ferramentas para incomodar em transição, especialmente se a Argentina perder a bola com muita gente à frente.
Também pesa o fato de Ramy Bensebaïni estar disponível. Ele é peça importante para organizar a defesa, justamente o tipo de jogador que ajuda quando o time passa longos minutos sem a bola e precisa transformar cada corte em respiro. Luca Zidane, por sua vez, vem de amistoso forte contra a Holanda, com atuação de goleiro que parece fechar a porta e ainda colocar a plaquinha de “volto já”.
Claro que a Argélia sofreu pressão naquele jogo contra os holandeses, e isso não pode ser varrido para debaixo do tapete. Mas sobreviver a fases difíceis também faz parte do pacote deste handicap. A aposta não exige que a Argélia mande no jogo; exige que ela não se desmanche.
A favorita tem classe, mas também alguns ajustes
Do lado argentino, a base é fortíssima: Dibu Martínez, Romero, Lisandro Martínez, De Paul, Enzo Fernández, Mac Allister, Messi e Lautaro formam uma espinha dorsal de respeito. O time sabe jogar partida grande, sabe esfriar o ritmo e sabe ganhar sem transformar o gramado em parque de diversões.
Mas há detalhes que tiram um pouco do brilho da ideia de goleada. Tagliafico está fora, e a lateral esquerda deve ter uma solução adaptada com Facundo Medina ou Lisandro. Defensivamente, são nomes confiáveis, mas a dinâmica de apoio e repetição pela faixa muda. Dibu está disponível, porém acabou de voltar de problema no dedo. Julián Álvarez também está liberado, só que deve começar no banco, ainda buscando ritmo depois do tornozelo.
Isso não derruba a Argentina do posto de favorita, longe disso. Só deixa o cenário mais parecido com vitória trabalhada do que com passeio. Scaloni tem elenco para decidir no banco, mas a Argélia também parece preparada para jogar minutos longos de resistência, sem se jogar no caos.
Por isso, a leitura mais simpática está no handicap argelino. A Argentina pode vencer, e talvez vença mesmo, mas a linha cobra uma folga que o roteiro do jogo não entrega com tanta naturalidade. Para bater essa aposta contra a Argélia, a campeã precisa não só ser melhor — precisa quebrar cedo um rival compacto, disciplinado e motivado. Aí já é pedir café, sobremesa e a conta paga pelo garçom.








