Argentina — Argélia: Fim do show e início da burocracia
O circo da Copa do Mundo arma sua lona e todo mundo já corre para garantir o ingresso achando que vai ver a Argentina dar um show de malabarismo. Afinal, são os atuais campeões contra a Argélia, certo? Errado. A linha das casas de apostas parece esperar uma pelada de fim de ano onde o ataque deita e rola alegremente. A realidade é que o mercado está superestimando o espírito festivo de uma equipe que, em modo torneio, veste terno e gravata e vai bater ponto na repartição pública.
Burocracia argentina e o buraco na lateral
A máquina de Lionel Scaloni não desembarcou na Copa de 2026 para dar espetáculo logo de cara. A seleção argentina vem jogando como um grupo de pragmáticos burocratas: acha o seu golzinho, carimba o papel, arquiva o processo e passa a tocar a bola de lado no meio-campo para fazer o relógio andar. Para frustrar ainda mais quem espera um placar gordo, o dono da lateral-esquerda, Tagliafico, está fora por lesão.
Scaloni terá que colocar Facundo Medina ou Lisandro Martínez por ali. Isso quer dizer que teremos um zagueiro improvisado, matando completamente a largura e a profundidade do ataque por aquele setor. A Argentina ficará visivelmente mais previsível pelas pontas, preferindo cozinhar o adversário no banho-maria em vez de partir para um sufoco histérico.
A arte de estacionar um ônibus no Kansas
Do outro lado do gramado, a Argélia tem plena consciência de que o torneio de verdade não começa aqui. O técnico Vladimir Petkovic já testou maravilhosamente bem sua capacidade de destruir jogos agradáveis, como no sonolento empate em 0 a 0 no amistoso contra o Uruguai. Eles vão montar um 5-4-1 tão fechado que nem sinal de Wi-Fi vai passar pelas duas linhas defensivas plantadas na entrada da área.
O foco real da seleção argelina é beliscar a vaga no grupo contra a Áustria e a Jordânia. O objetivo na estreia é apenas de sobrevivência, evitando levar uma sacola de gols que destruiria o saldo futuramente. Com Luca Zidane atravessando boa fase debaixo das traves e o fetiche imenso que os argentinos têm por vencer no protocolar 2 a 0 fazendo pouco esforço no segundo tempo, a rede balançará muito menos do que as cotações sugerem.














