Colômbia — Gana: o plano de Queiroz vale mais que o favoritismo

O 1/16 de final entre Colômbia e Gana promete um confronto de estilos no estádio do Kansas City, e quem olha só o ranking pode se enganar. A Colômbia chega embalada como primeira do grupo K, invicta, com um futebol de controle e posse de bola. Mas Gana, treinada por Carlos Queiroz, não é aquela presa fácil que alguns imaginam.
Queiroz aperta o cerco: “sem margem para erro”
O técnico português já avisou que este é o “Copa de verdade” e que sua equipe não pode cometer falhas. A frase-síntese veio na entrevista coletiva: “Amanhã não há amanhã. Temos que fazer tudo certo por 90 minutos.” Isso significa uma Gana compacta, de bloco baixo, explorando transições e erros do adversário.
O modelo funcionou contra a Inglaterra, quando Gana segurou um 0 a 0 com apenas 21% de posse de bola. A diferença é que agora o adversário tem um ataque mais variado, com James Rodríguez e Luis Díaz, mas ainda assim a disciplina tática de Queiroz é um trunfo que o mercado subestima.
Força máxima dos dois lados? Nem tanto
A Colômbia deve ir com sua escalação mais forte, com Daniel Muñoz e Johan Mojica de volta após poupar contra Portugal. Lorenzo, o técnico, deixou claro que “buscou por todos os lados” a vitória, mesmo com o empate servindo. Mas quem joga de 9 ainda é uma interrogação: Jhon Córdoba ou Luis Suárez? Essa indefinição pode custar caro na hora de furar a retranca.
Do lado ganês, a notícia é que o zagueiro Jerome Opoku e o volante Caleb Yirenkyi voltam ao time, depois de serem poupados contra a Croácia. Sem eles, a defesa sofreu; com eles, o sistema fica mais sólido. Além disso, Antoine Semenyo se recuperou de um problema no tornozelo e deve começar jogando. É o principal trunfo para o contra-ataque.
O calor de Kansas City e o ritmo de jogo
O clima em Kansas City está extremamente quente e úmido, mesmo com o jogo marcado para o período noturno local. Isso tende a achatar o ritmo e favorecer quem joga em bloco baixo, já que correr atrás da bola por 90 minutos desgasta mais. Gana se sente confortável nesse cenário de paciência e espera.
Colômbia, apesar de ter mais recursos, não é um time de goleadas nos mata-matas. Na fase de grupos, venceu dois jogos por 1 a 0 e o terceiro por 3 a 1, mas com o terceiro gol saindo aos 99 minutos, quando o jogo já estava decidido. Nos outros dois, marcou apenas um gol.
O mercado está pagando a mais pelo favoritismo colombiano
A linha de handicap de Gana +1,5 está sendo oferecida a 1,66, o que significa que o mercado acredita que a Colômbia pode vencer por dois ou mais gols de diferença. Mas os dados mostram que isso é improvável: a média de gols da Colômbia nos jogos decisivos é baixa, e Gana tem mostrado capacidade de segurar placares apertados.
Até mesmo na derrota para a Croácia (2 a 1), Gana reagiu e empatou, antes de sofrer o gol da virada em uma falha de bola parada. Com Opoku de volta, esse tipo de erro tende a diminuir. A aposta em Gana +1,5 não é uma crença cega na zebra, mas sim numa leitura realista de que a diferença não será maior que um gol.






















