Colômbia x Gana: O calor e a retranca vão derreter o jogo

As casas de apostas miram este duelo dos 16 avos de final e enxergam só mais um mata-mata costumeiro de Copa do Mundo. Acontece que os engravatados do mercado esqueceram de olhar a previsão do tempo. O calor sufocante de Kansas City vai transformar o gramado em uma sauna a céu aberto, sugando a energia de todos.
Ninguém em sã consciência vai querer dar piques de oitenta metros sob um clima de derreter as chuteiras. A temperatura, por si só, já convida a um futebol cadenciado em câmera lenta. E esse ritmo arrastado é absolutamente tudo o que o pragmatismo ganês pediu aos céus para tentar surpreender nesta fase.
A escola pragmática de amarrar o adversário
Se tem uma coisa que o técnico Carlos Queiroz sabe fazer como poucos, é armar uma retranca pesada, daquelas de dar inveja a engenheiro de trânsito. A seleção de Gana já provou que adora jogar sem a bola e estacionar um ônibus na entrada da pequena área. Aquele empate sem gols contra a badalada Inglaterra foi uma aula magna de como destruir talentos focando na retranca.
Depois de pouparem peças importantes na rodada inútil contra a Croácia, os titulares de Gana voltam com fôlego para o cerco. Não há a menor pressa de agredir; a ideia é sobreviver especulando escapadas de Antoine Semenyo nas costas do lateral. O plano deles é erguer barricadas e obrigar a Colômbia a cruzar bolinhas inofensivas.
O banho-maria colombiano no deserto
Do outro lado, a equipe sul-americana fez uma campanha limpa e muito organizada na fase de grupos. Só que a turma do habilidoso Luis Díaz e do lateral Daniel Muñoz não atua como um bando de malucos afobados. Eles têm técnica de sobra para mastigar a posse de bola no meio-campo o tempo todo, farejando calmamente uma única fresta para marcar.
Foi exatamente esse roteiro burocrático que testemunhamos na vitória enroscada por um a zero sobre a DR Congo. Diante de um bloqueio baixo, os colombianos trocam passes no mais sonolento banho-maria. Forçar passes verticais à toa e desperdiçar fôlego simplesmente não está no manual de sobrevivência do pragmático Néstor Lorenzo.
Por que esperar fuzuê é uma loucura
Junte uma defesa ganesa desenhada exclusivamente para não sofrer, um favorito paciente que não quer se esfolar, e um sol de rachar a moleira de qualquer gringo. O saldo inevitable é uma partida de xadrez pesada e truncada na faixa central do gramado. A tese mirabolante de que teremos uma noite de pelada farta em gols esbarra na dura matemática física do jogo.
Pegar a cotação mixuruca de triunfo seco da Colômbia é pedir para passar raiva vendo seu time martelar uma parede por quase todo o tempo. E buscar handicaps alongados é delirar que os colombianos não vão simplesmente tirar o pé ao abrir o placar, guardando energia para não fritarem atoa. Os românticos que me perdoem, mas a precaução reinará.






















