Portugal — Uzbequistão: jogo tenso e de poucos gols
A estreia de Portugal na Copa deixou um gosto amargo: posse esmagadora (75%), mas apenas uma finalização no alvo. O 1 a 1 com a RD Congo escancarou a dificuldade que a equipe de Roberto Martínez tem para quebrar blocos baixos — e é exatamente isso que o Uzbequistão vai propor em Houston.
Ataque português sem brilho
Contra a RD Congo, Portugal teve apenas um chute no gol — o de João Neves nos primeiros minutos. Depois disso, a posse se tornou estéril, com passes laterais e pouca profundidade. O problema não é novo: nos amistosos contra México (0 a 0) e Nigéria (2 a 1 sofrido), a mesma dificuldade apareceu.
O retorno de Rúben Dias na defesa é um alívio, mas a questão está na frente. Cristiano Ronaldo deve começar, mas o time precisa de mais mobilidade e infiltrações do que o camisa 7 oferece atualmente. A ausência de um atacante que ataque os espaços internos torna o jogo previsível.
A ausência que pesa no Uzbequistão
O Uzbequistão perdeu seu principal criador, Jaloliddin Masharipov, cortado por lesão. Sem ele, a equipe de Fabio Cannavaro perdeu a principal fonte de passes quebradores de linha. Fayzullayev e Shomurodov ainda têm qualidade, mas o time fica mais dependente de transições e bolas paradas.
Na estreia, o Uzbequistão mostrou organização defensiva contra a Colômbia, mas erros individuais custaram caro — como o que gerou o segundo gol colombiano. Contra Portugal, a tendência é que se fechem ainda mais, num 5-4-1 compacto, buscando sobreviver e explorar um eventual vacilo luso.
Contexto de Copa e motivação
Portugal está com 1 ponto e precisa vencer para não depender de resultados na última rodada. Mas a necessidade não significa busca por goleada: o discurso de Cancelo e Martínez é de “melhorar a disciplina” após o susto na estreia. O time deve priorizar controle e solidez defensiva, não um ataque desenfreado.
Já o Uzbequistão, com 0 pontos, sabe que uma derrota por margem grande pode comprometer qualquer chance remota de classificação. Mesmo que isso não seja o foco principal, o cuidado com o saldo de gols existe. Cannavaro deve manter a linha defensiva baixa e esperar o erro português.
O histórico recente de Portugal mostra uma equipe que não vence por mais de dois gols de diferença desde março. Contra EUA e Chile, foram 2 a 1 ou 2 a 0. Para passar por uma defesa quebrada, faltam meios. O Under 3,5 gols parece o desfecho mais natural para um jogo de alta tensão e baixa gordura ofensiva.














