Portugal — Uzbequistão: A ilusão da goleada lusitana no mercado
As casas de apostas olharam para a camisa de Portugal e imediatamente projetaram uma máquina de moer adversários no gramado. Tratam o time como se a sonhada goleada fosse apenas uma questão de bater o ponto no relógio. É muita fé baseada pura e simplesmente na grife da seleção.
Na prática, o mundo real entregou uma equipe que transformou setenta e cinco por cento de posse de bola em uma monotonia estéril contra a RD Congo. Um frustrante empate por 1 a 1 que expôs a letargia crônica do esquema de Roberto Martínez quando os portugueses encaram defesas muito recuadas e fechadas.
A arte de tocar a bola de lado
O plano ofensivo português ultimamente se resume a trocar dezenas de passes inofensivos no meio-campo, esperando que uma mágica aconteça. Cristiano Ronaldo continua sendo a referência lá na frente, o que inevitavelmente puxa a marcação, mas deixa o estilo de jogo arrastado e engessado.
Até mesmo nos amistosos preparatórios, a seleção lusitana suou sangue para arrancar vitórias mínimas contra adversários menos qualificados. A volta do zagueiro Rúben Dias ajuda a arrumar a casinha lá atrás nos lances de bola aérea, mas infelizmente não resolve a enorme falta de improviso no terço final do campo.
Um muro asiático no horizonte
Do outro lado, o Uzbequistão entra no gramado sabendo perfeitamente o papel que lhe cabe nessa peça. Sob a batuta de Fabio Cannavaro, a ordem é estacionar um autêntico ônibus em um sistema 5-4-1 totalmente focado em congestionar o funil central e frustrar a transição portuguesa.
É verdade que os uzbeques não terão o seu principal criador, Jaloliddin Masharipov, cortado do torneio por lesão. Porém, o rápido Abbosbek Fayzullayev mostrou contra a Colômbia que o time sabe muito bem pescar um gol de rebote ou de contra-ataque quando o oponente vacila.
O mercado simplesmente ignora a imensa dificuldade recente de Portugal em construir placares elásticos contra blocos defensivos grossos. Projetar um massacre de três ou quatro gols de diferença nas oddsneste momento soa como um belíssimo delírio coletivo das cotações.
A gordura luxuosa do mercado
Com essa linha defensiva asiática tão subestimada, o handicap nos oferece um conforto gigantesco. O Uzbequistão pode se dar ao luxo de perder o jogo por um e até por dois gols de diferença que a nossa aposta ainda sai vitoriosa e sem sustos.
Enquanto o grande público compra o bilhete esperando um show de pirotecnia, nós podemos abraçar a previsibilidade de um jogo amarrado. Se os uzbeques acharem o seu já tradicional golzinho brigado, o drama do time europeu só aumenta, garantindo ainda mais a nossa linha de proteção.














