Portugal — Uzbequistão: A seca ofensiva lusitana
A estreia de Portugal na Copa não enganou ninguém. Um empate magro com a República Democrática do Congo, com apenas uma finalização no alvo e um ataque que pareceu mais perdido do que perigoso. O time de Roberto Martínez tem um problema estrutural: domina a posse, ocupa o campo de ataque, mas falta a pontaria e a fluidez para transformar isso em gols.
Problemas ofensivos que viram padrão
Olhando os últimos quatro jogos de Portugal — contra Congo, Nigéria, México e Chile — o ataque marcou apenas cinco gols no total, uma média de 1,25 por partida. Em três desses quatro jogos, não passou de um gol. O México segurou o 0 a 0, a Nigéria só foi batida nos acréscimos, e o Chile, mesmo perdendo, só levou dois.
A posse de bola é estéril. Contra o Congo, Portugal teve 75% da posse, mas só acertou o gol uma vez em sete tentativas. O time troca passes na frente da área, mas falta profundidade e variação. Cristiano Ronaldo ainda é a referência, mas o jogo ao redor dele parece estático, dependendo mais de lampejos individuais do que de um ataque coletivo.
A volta de Rúben Dias é uma boa notícia para a defesa, que sofreu o gol de empate do Congo em uma falha de marcação aérea. Mas o ataque continua sendo o ponto fraco. Martínez já admitiu que o time “perdeu fluência” depois dos primeiros 20 minutos contra o Congo, e isso acendeu o alerta para o resto da fase de grupos.
Uzbequistão armado para se defender
Do outro lado, o Uzbequistão de Fabio Cannavaro não é bobo. Contra a Colômbia, na estreia, a equipe mostrou organização defensiva e só foi vazada aos 38 minutos, depois de uma jogada de classe de Luis Díaz. O 3 a 1 final engana: a Colômbia só conseguiu deslanchar após um erro individual dos uzbeques, algo que Cannavaro identificou claramente como “imperdoável” neste nível.
Com a ausência do meia Masharipov, lesionado e fora da Copa, o ataque uzbeque perdeu sua principal fonte de criação. Fayzullayev e Shomurodov são as armas, mas a equipe deve adotar uma postura ainda mais reativa, com linhas baixas e esperando o erro português para sair em transição.
O 5-4-1 sem a bola é a cara do time. Contra a Holanda, mesmo perdendo por 2 a 1, o Uzbequistão mostrou que consegue sobreviver por longos períodos contra times mais fortes. O problema é a resistência: depois do intervalo, o time caiu fisicamente contra Canadá e Colômbia, levando gols de decisões ruins.
Mercado exige goleada que não vem
A linha de 3,5 gols no mercado sugere que o mercado espera uma goleada portuguesa. Mas os números recentes mostram que Portugal não tem essa pegada. Contra adversários que fecham a casinha, o ataque português sofre. O México segurou o zero, a Nigéria só cedeu um gol aberto no fim, e o Congo saiu com o empate.
Portugal precisa vencer, claro, mas o placar deve ser mais parecido com o 2 a 0 contra os EUA ou o 2 a 1 contra o Chile: vitória controlada, mas sem explosão ofensiva. O Uzbequistão, mesmo perdendo, não deve levar uma goleada de 4 ou 5 gols se repetir a disciplina defensiva dos primeiros 60 minutos contra a Colômbia.
O jogo tem cara de 2 a 0 ou 3 a 0, algo que caberia perfeitamente no Under 3,5. A odd de 1,73 reflete um valor sólido para uma aposta que se baseia em evidências de campo, não em suposições de mercado sobre o poder de fogo de Portugal.














