Alemanha — Costa do Marfim: favorito forte, mas sem cara de passeio
Alemanha e Costa do Marfim se encontram pela Copa do Mundo de 2026 em 20 de junho de 2026, 17:00 BRT, num duelo que tem cheiro de decisão antecipada no grupo. Os alemães são favoritos, claro, mas aqui o cachorro não corre atrás do próprio rabo.
O ponto central é simples: a linha parece ter comprado com gosto a goleada alemã na estreia. Só que enfrentar Curaçao e encarar uma Costa do Marfim forte fisicamente, organizada e cheia de pernas para transição são histórias bem diferentes.
A goleada alemã pesa, mas também engana um pouco
A Alemanha vem com cara de time principal, sem grande rotação. Nagelsmann deve manter Neuer, Kimmich, Tah, Schlotterbeck, Brown, Pavlović, Nmecha, Sané, Musiala, Wirtz e Havertz, um onze de respeito e com muita criação.
Musiala e Wirtz dão aquele toque de mágica no meio, Havertz liga e finaliza, e Sané segue sendo arma importante pela direita. Além disso, Undav mostrou que pode sair do banco e bagunçar a área como convidado que chega tarde e ainda domina a festa.
O problema para quem quer uma vitória alemã larga é que o time ainda mostra brechas quando o jogo vira corrida. Contra Estados Unidos e Suíça, a defesa sofreu quando foi atacada em velocidade, e esse detalhe pesa muito contra os marfinenses.
A comissão alemã, inclusive, trabalhou ajustes para proteger melhor o lado de Kimmich. Sané pode baixar mais sem a bola, Musiala pode pisar mais perto de Havertz, e Kimmich deve alternar entre lateral e meio-campo.
A Costa do Marfim não veio só para resistir
A Costa do Marfim chega com moral depois de bater o Equador no fim, em jogo em que soube sofrer, crescer e achar o golpe certo. Esse tipo de vitória deixa o vestiário leve, mas sem transformar ninguém em turista de excursão.
O desenho esperado é compacto, com linhas fortes e muita disputa no meio-campo. Kessié e Seko Fofana dão presença, chegada e duelo físico, enquanto a defesa ganha corpo com nomes como Singo, Agbadou, Doué e a possível presença de Kossounou.
Na frente, há veneno de sobra. Pépé, Wahi, Bonny, Touré e Amad Diallo oferecem caminhos diferentes, seja para atacar espaço, prender zagueiro ou acelerar no momento em que a Alemanha perde a bola.
Amad é especialmente interessante porque vem de gol decisivo contra o Equador e também já tinha marcado em amistoso contra a França. Se começar jogando ou entrar no segundo tempo, ele muda a temperatura do jogo sem pedir licença ao termômetro.
Yan Diomandé também é peça-chave. Ele carrega, acelera, chama marcação e pode atacar justamente o espaço que aparece quando Kimmich sobe, uma avenida que a Alemanha tenta fechar antes que vire assunto de mesa-redonda.
O favorito pode vencer, mas o placar elástico é outra conversa
Não há necessidade de brigar com o favoritismo alemão. A Alemanha tem mais repertório, mais criadores e uma bola parada perigosa com Schlotterbeck e Tah, além de banco capaz de aumentar o ritmo no fim.
Mas pedir que vença por margem confortável contra uma seleção marfinense tão atlética e confiante já é um salto maior. A Costa do Marfim não precisa dominar a posse para manter o jogo vivo; basta defender bem o corredor central e sair com qualidade.
O contexto de grupo também ajuda a imaginar um jogo mais sério do que espalhafatoso. As duas seleções venceram na estreia, então ninguém precisa se atirar no abismo logo cedo, mas ambas têm motivo para buscar a classificação encaminhada.
Esse equilíbrio de incentivo costuma favorecer o lado que recebe vantagem no handicap. Se a Alemanha abrir o placar, a Costa do Marfim tem pernas e banco para responder; se o jogo demorar a destravar, o relógio começa a trabalhar junto com o azarão.
Por isso, o melhor caminho é ficar do lado marfinense com proteção. A Alemanha pode ganhar, mas transformar essa superioridade em goleada exige passar por um bloco robusto, um meio-campo intenso e contra-ataques que não são enfeite de vitrine.














