Alemanha — Costa do Marfim: O imposto absurdo da última goleada
Pelo visto, boa parte do mercado de apostas esportivas sofre de uma amnésia seletiva brutal. Basta a Alemanha aplicar sete na inofensiva seleção de Curaçao para as linhas despencarem, como se os alemães fossem intocáveis. As casas estão cobrando um verdadeiro imposto sobre o último resultado.
Essa precificação exagerada trata a Costa do Marfim como se fosse mais um adversário passivo e anestesiado esperando a guilhotina cair. É uma ilusão cômica achar que um time africano físico e muito bem treinado será atropelado logo de cara. O buraco aqui é bem mais embaixo e o nível sobe drasticamente.
O choque de realidade física e tática
Os africanos vêm de uma vitória cheia de maturidade contra o Equador e não vão a campo para pedir camisa para Wirtz ou Musiala. O nível de competitividade marfinense é alto, alicerçado em um 4-4-2 capaz de estrangular espaços vitais. É um choque frontal contra a badalada criatividade germânica.
A dupla de volantes formada por Franck Kessié e Ibrahim Sangaré não pisará no gramado para fazer figuração festiva. Esse meio-campo funciona como um trator, desenhado para engolir jogadores finos que gostam de dominar a bola sem serem incomodados. A badalada posse de bola europeia certamente vai engasgar ao longo do confronto.
Além dessa força impressionante na destruição de jogadas, a zaga dos Elefantes sobe de prateleira com a forte presença de Odilon Kossounou. Trata-se de um sistema defensivo testado no mais alto nível, que suporta de frente o choque físico. O ataque de Nagelsmann precisará suar muito a camisa para arrumar espaços limpos.
O latifúndio desocupado na defesa alemã
Apesar de todo o oba-oba em cima do ataque embalado, a recomposição da equipe alemã continua emitindo sinais luminosos de alerta. O posicionamento atual entrega verdadeiras avenidas nas costas de Joshua Kimmich pelo setor direito. É quase um latifúndio sem dono pedindo para ser invadido por contragolpes fulminantes.
E adivinhe quem vai montar a festa nesse salão aberto pelas beiradas do campo? Velocistas venenosos como Amad Diallo e Yan Diomandé estão só engatilhados para acionar o modo turbo nas transições. A zaga alemã costuma entrar em pânico quando atacada em velocidade, e o roteiro tem tudo para se repetir.
Diante desse cenário perigoso e de margens apertadas, confiar em outra goleada tranquila dos europeus é rasgar dinheiro. O confronto cheira a um duelo tático amarrado, de trancos, barrancos e muito suor. Pegar essa vantagem elástica maravilhosa do lado marfinense é disparada a cartada mais lúcida deste jogo.













