Portugal — RD Congo: as casas de apostas sonham com goleadas imaginárias
A linha elaborada pelos apostadores para este confronto cheira àquela pura ilusão de torcedor deslumbrado no sofá. O mercado abriu as portas acreditando piamente que a badalada seleção portuguesa vai entrar em campo apenas para dar espetáculo. Parece que as bancas esperam um verdadeiro recital de gols só porque leram os nomes luxuosos do ataque titular.
A realidade, porém, é que o futebol de videogame raramente dá as caras logo na rodada de abertura de um Mundial. Quem coloca seu dinheiro apostando as fichas no massacre ignora solenemente o calor sufocante e a temível umidade de Houston. Roberto Martínez não preparou seus comandados sob o sol escaldante para derreter e desperdiçar fôlego logo no primeiro ato do torneio.
O ferrolho blindado e o suor no Texas
Do outro lado do gramado, a República Democrática do Congo não cruzou o planeta para servir de tapete vermelho e aplaudir os rivais. A equipe armada por Sébastien Desabre é muito bem ajustada, sabe absorver pressão e adora transformar o jogo em uma trincheira. O empate sem gols, extremamente encardido contra a forte Dinamarca, já serviu para provar exatamente isso.
Eles carregam na bagagem uma linha defensiva de muito respeito, contando com jogadores testados nas grandes ligas europeias, como Wan-Bissaka e Mbemba. Os congoleses fatalmente vão erguer duas barreiras de marcação bem compactas e colar as linhas de frente à própria área. O plano de voo deles é frustrar os armadores luso-brasileiros e engessar o ritmo da partida.
Gestão da bateria e ausência na zaga
Outro ponto que as cotações ignoram de forma quase humorística é a confirmada ausência de Rúben Dias na zaga europeia. Sem o seu principal xerife e organizador, o time invariavelmente sofre uma queda no embate físico contra os rápidos atacantes africanos. Esse detalhe fundamental obriga a seleção favorita a não voar para o ataque com as calças na mão.
O roteiro previsto aqui é o mais protocolar possível para uma verdadeira candidata ao título que precisa cuidar do tanque de combustível. A equipe deve assumir as rédeas manipulando a bola com Vitinha e João Neves, conquistar um gol solitário e depois ligar o famoso modo poupança de energia. Ninguém ali vai arriscar os músculos promovendo uma correria insana debaixo de um calor subtropical.
A comissão técnica não forçou treinamentos específicos focando na fadiga americana em vão; eles sabiam perfeitamente onde estariam se metendo. Ficar esticando passes no desespero ofensivo após achar a primeira rede balançada soa como um belíssimo tiro no próprio pé. O toque de bola no meio-campo funcionará perfeitamente como o sedativo ideal para adormecer o confronto.
Não existe a mais remota urgência de emular aquelas históricas surras das antigas quando a maratona até a taça recém começou. Um triunfo totalmente pragmático e acadêmico por dois a zero emerge como o final mais sensato e palpável destas circunstâncias. Deparar-se com uma linha destas superando uma cotação dupla para pouca bola na rede chega a ser uma grande piada pronta.







