Estados Unidos — Paraguai: O ônibus sem motor não segura o ataque em casa
O mercado fechou os olhos e imaginou um pântano tático insuportável para a abertura do Grupo D. As casas de apostas estão com tanto medo do ferrolho desenhado pelo técnico Gustavo Alfaro que decidiram jogar a odd da vitória dos donos da casa lá para o alto. É como se a seleção dos Estados Unidos fosse alugar o moderno estádio em Inglewood apenas para assistir ao Paraguai se defender por noventa minutos debaixo de um cobertor pesado de volantes e zagueiros.
O ônibus paraguaio perdeu o motorista
A tática paraguaia não é exatamente um segredo guardado a sete chaves: estacionar a frota na frente da própria área e torcer por um milagre isolado no contra-ataque. O problema é que o plano supostamente infalível esbarra no boletim médico. Julio Enciso, o sujeito responsável por tirar o time da defesa, rabiscar nas entrelinhas e sofrer faltas vitais, está lidando com um trauma na coxa. Se a joia for para o gramado, será no sacrifício; se ficar no banco, a transição ofensiva dos visitantes vira uma piada de mau gosto. Sem ele, a estratégia se resume a entregar chutões desesperados buscando o pobre do Miguel Almirón, que vai ficar mais isolado no ataque do que náufrago em ilha deserta.
A marreta norte-americana
Enquanto isso, Mauricio Pochettino não tem motivos para inventar moda e vem com força máxima para a estreia na Copa do Mundo. Os estadunidenses contam com laterais que, na prática, jogam como pontas. Sergiño Dest e Antonee Robinson estão inteiros e vão alargar o campo até o limite da linha lateral para tentar abrir a lata sul-americana. Com Pulisic, Balogun e Weah martelando a compacta linha formada por Gustavo Gómez e Alderete, a defesa paraguaia terá que fazer um jogo perfeito, o que raramente acontece quando a pressão é constante.
Para quem viu os amistosos norte-americanos preparatórios, é verdade que a defesa andou entregando sustos bobos na saída de bola contra a Alemanha. A sorte grande é que este Paraguai capenga na armação não tem o volume necessário para expor as falhas ianques. A linha supervaloriza o poder de sobrevivência do "modo retranca". Até existe a turma purista que ama apostar no sofrível "Menos de 2,5 gols", mas a odd está tão espremida e ridícula que não paga o risco de um desvio de cabeça abrir a porteira logo cedo. A rota mais sensata e lucrativa aqui é confiar que, cedo ou tarde, a pressão dos anfitriões vai desmontar o muro de areia paraguaio.






