Irã — Nova Zelândia: All Whites com a margem a seu favor
Quando a bola rolar no SoFi Stadium, o Irã vai entrar em campo como o time mais experiente, mais classudo e com a torcida empurrando. Mas quem acha que a Nova Zelândia vai ser um saco de pancadas está ignorando o que aconteceu nos dias que antecederam a partida e, principalmente, o que os All Whites já mostraram que sabem fazer.
O favoritismo que vem com várias interrogações
O Irã é favorito — isso ninguém discute. Mehdi Taremi está lá, Ghoddos pode jogar, a defesa tem homens tarimbados como Kanaani e Khalilzadeh. Mas a vibe não é das melhores. O técnico Ghalenoei já deixou escapar que o foco técnico foi afetado por problemas extracampo — a mudança de base para Tijuana, os vistos, os deslocamentos para Los Angeles. E isso sem falar de Roozbeh Cheshmi, que está fora, e de pelo menos outros três nomes importantes da frente que são dúvida: Taremi (sim, o principal deles), Ghoddos e Torabi. Todos treinaram com carga reduzida. Contra a Nova Zelândia, o Irã pode não ter sua arma mais letal em plena forma.
Nos amistosos, o Irã venceu, mas não atropelou ninguém. O 2 a 0 contra o Mali foi um jogo de controle, não de goleada. O 5 a 0 na Costa Rica veio com dois pênaltis. E o 3 a 1 em Gâmbia teve uma desvantagem parcial no primeiro tempo. Não há ali uma máquina de fazer gols. A média de gols nos últimos jogos é boa, mas não assusta uma defesa organizada.
A Nova Zelândia que se defendeu da Inglaterra não é a mesma do Haiti
O 4 a 0 para o Haiti assustou. Mas quem viu o jogo viu que o placar foi distorcido — o primeiro tempo foi equilibrado, com a Nova Zelândia criando chances e até acertando a trave. O colapso veio no segundo tempo, quando Bazeley fez mudanças que deram errado. A lição foi aprendida. Cinco dias depois, os All Whites enfrentaram a Inglaterra e seguraram um 1 a 0 limpo, com organização, compactação e zero chances claras dos ingleses em boa parte do jogo. Chris Wood ainda finalizou de letra, mas Crocombe salvou. Aquela Nova Zelândia, a que não se desmanchou sob pressão, é a que vai entrar em campo contra o Irã.
Há uma baixa importante: Matt Garbett, meia-atacante que vinha bem, sentiu a coxa no treino de véspera e é dúvida. Mas o restante do elenco está à disposição — inclusive Wood, que é a referência máxima. A Nova Zelândia sabe que este é o jogo mais factível para somar pontos, talvez o único. Por isso, a motivação está nas alturas.
Por que a aposta é na margem neozelandesa
Quando o mercado coloca a vitória do Irã em 1,83, está dizendo que o time persa ganha pouco mais da metade das vezes. Acontece que, para a Nova Zelândia perder por dois ou mais gols de diferença — a única forma de a aposta Handicap +1,5 ser derrotada —, o Irã precisaria de uma atuação que não vem tendo consistentemente. Mesmo vencendo, o Irã tem feito jogos de um gol de diferença: 2 a 0 no Mali, 3 a 1 em Gâmbia, 2 a 0 no Catar, 2 a 1 na Nigéria. O único placar dilatado foi contra a Costa Rica quebrada. A Nova Zelândia, por sua vez, perdeu de 1 a 0 para a Inglaterra, de 2 a 0 para a Finlândia e de 2 a 0 para o Equador — sempre por margens administráveis. O 4 a 0 para o Haiti foi a exceção, e numa circunstância que não se repetirá.
O jogo contra o Irã tende a ser truncado, com a Nova Zelândia se fechando, explorando chutões para Wood e tentando uma bola na área. O Irã não tem a velocidade e a juventude para pressionar por 90 minutos uma defesa que se dispõe a sofrer. A aposta em que a Nova Zelândia não perca por dois gols ou mais é a que melhor casa com o cenário: um jogo duro, de poucos gols, onde o Irã pode até vencer, mas não com folga.







