Irã — Nova Zelândia: O mercado pesou a logística e esqueceu do abismo técnico
Parece que as casas de apostas andam lendo muita coluna de fofoca sobre logística e esquecendo de olhar para o gramado. As linhas para esta estreia no Grupo G estão tratando a seleção do Irã como se tivessem desaprendido a jogar futebol só porque a base de treinos em Tijuana gerou estresse, longas viagens e imbróglios de visto. É irônico ver o mercado se apavorar com o extracampo e ignorar completamente o abismo de qualidade que existe entre os dois elencos. A odd generosa pela vitória seca dos asiáticos é um presente para quem ainda confia em retrospecto e tática, e não apenas em drama de aeroporto.
A fantástica fábrica de ilusões defensivas
O grande truque de mágica que embriagou a banca foi o recente amistoso pré-Copa onde a Nova Zelândia estacionou um ônibus na área e tomou apenas 1 a 0 da Inglaterra. Pronto. De repente, os analistas cruzaram os braços e decretaram que a defesa dos "All Whites" é o novo terror dos atacantes. Acontece que a memória seletiva dos oddsmakers é uma piada.
Eles convenientemente apagaram do banco de dados que, poucos dias antes dessa atuação heroica contra os ingleses, o mesmo sistema defensivo colapsou e tomou quatro gols do Haiti. O Haiti fez a defesa neozeolandesa virar poeira assim que apertou o passo e forçou alguma movimentação na linha de zaga. Basta o adversário acelerar um pouco pelos lados que a linha de quatro começa a bater cabeça atrás. Para piorar a vida do técnico Darren Bazeley, Matt Garbett sentiu a coxa no treino de véspera e é dúvida, tirando boa parte do oxigênio e da transição do meio-campo, que agora vai rezar por bolas longas na cabeça do isolado Chris Wood.
Sobrevivência e pragmatismo no Grupo G
Do outro lado do campo, o Irã não tem o luxo de fazer testes. Com Bélgica e Egito esperando na fila do grupo, não somar três pontos aqui significa praticamente assinar a eliminação precoce. Mesmo com o experiente Cheshmi de fora e algumas peças veteranas mastigando o preparo físico, o ataque tem recursos de sobra para desmontar essa frágil armadilha tática.
Mehdi Taremi desponta como o verdadeiro pesadelo do zagueiro pesadão. Com Mohebi e Ghayedi garantindo velocidade e amplitude pelas pontas, o roteiro óbvio é balançar a zaga até abrir uma cratera no meio. Claro, não estamos esperando que o Irã aplique aquele nível de surra que deram na Costa Rica — a escola de Amir Ghalenoei tem o clássico perfil pragmático de fazer o placar, botar a bola debaixo do braço e cozinhar o jogo em fogo brando. A cotação para o triunfo simples está muito fora de prumo considerando que a seleção iraniana só precisa de um pouco de posse e pressão metódica para furar um bloqueio que já provou não aguentar o tranco.







