Bélgica — Egito: o ataque belga sem Lukaku e o Under
Todo mundo espera ver a Bélgica voando na estreia da Copa do Mundo, com Doku enfiando a faca, De Bruyne distribuindo passes mágicos e a torcida se empolgando com uma goleada. Mas olhar só para o nome da camisa sem reparar nos detalhes do time que vai a campo é exatamente o erro que o mercado cometeu nessa linha de gols. A ausência de Romelu Lukaku entre os titulares muda completamente o perfil ofensivo belga. Sem a referência de área, que segura a bola de costas, briga com os zagueiros e finaliza de qualquer jeito, a Bélgica perde a profundidade que faz a diferença contra defesas organizadas. E o Egito, meu amigo, sabe se organizar.
A Bélgica sem sua referência na área
Rudi Garcia confirmou que Lukaku não está pronto para começar jogando. O centroavante vai para o banco, e Charles De Ketelaere ganha a vaga. Um jogador de mais movimentação, que cai pelos lados e tenta tabelar, mas não tem o mesmo peso na área. O time belga fica mais previsível para uma defesa que já mostrou contra Espanha e Brasil que consegue se fechar. Contra a Espanha, em março, o Egito segurou um 0 a 0 fora de casa, mesmo com um a menos no fim. Contra o Brasil, perdeu por 2 a 1, mas foi competitivo e só cedeu o gol da virada no segundo tempo. O que esses jogos têm em comum? Poucos gols. E a Bélgica, que já teve dificuldade para quebrar blocos baixos — lembra do 0 a 0 com a Macedônia do Norte nas eliminatórias? —, agora vai ter que fazer isso sem o principal homem de área e com uma defesa improvisada.
O Egito que sabe se fechar
Aliás, o sistema defensivo egípcio é o grande trunfo para quem aposta no Under. Com Mohamed Salah e Omar Marmoush prontos para sair no contra-ataque, o Egito não precisa se expor. Hossam Hassan montou um 4–3–3 que vira um 5–4–1 quando a Bélgica ataca. Os três volantes — Marwan Attia, Mohanad Lasheen e Emam Ashour — dão cobertura e não deixam De Bruyne ter espaço entre as linhas. E, se a Bélgica tiver a bola, o Egito sabe que pode esperar. O problema é que o mercado olhou para o nome Bélgica, viu a goleada sobre a Tunísia (5 a 0) em amistoso e pensou: “vai ter gol”. Mas contra a Tunísia, o adversário era fraco. Contra um Egito que empatou com a Espanha e perdeu de virada para o Brasil, a história é outra. Fora que a zaga belga não é a mesma: Zeno Debast não está plenamente recuperado, e a dupla de zaga Theate/Ngoy tem pouca entrosamento contra transições rápidas. Isso pode fazer a Bélgica ser mais cautelosa, evitando se expor nos primeiros minutos.
O contexto de estreia em Copa do Mundo também pesa. Ninguém quer começar perdendo. A Bélgica sabe que o grupo tem Irã e Nova Zelândia depois, então um empate ou vitória magra não é desastre. O Egito, por sua vez, mira pontos e vai se contentar com um 0 a 0 ou 1 a 0. Os dois times vão entrar ligados, mas com respeito. O calor em Seattle (quase 30°C às 16h locais) ainda pode baixar o ritmo no segundo tempo. Todos os sinais apontam para um jogo de poucos gols.








