Inglaterra — RD Congo: O favoritismo cego ignora o ferrolho congolês.
As casas de apostas decidiram que este duelo do dia 1 de julho de 2026, 13:00 BRT, pelos 16 avos de final, será um autêntico passeio no parque. A linha esmagadora a favor da Inglaterra pressupõe um massacre quase protocolar no gramado. O problema é que esqueceram de avisar a compacta defesa do outro lado.
Alergia crônica ao ferrolho
O time de Thomas Tuchel vem sofrendo de uma alergia terrível sempre que encara um adversário muito fechado na defesa. Vimos a seleção inglesa passar o jogo todo trocando passes estéreis naquele empate sonolento contra Gana. Contra o Panamá, a equipe também suou sangue até conseguir balançar a rede no segundo tempo.
A RD Congo não entra em campo querendo dar espetáculo ou jogar de peito aberto contra oponentes badalados. Os congoleses já frustraram a posse de Portugal e deram muito trabalho para a Colômbia na fase de grupos. É uma seleção que adora entregar a bola, montar uma trincheira robusta e ter bastante paciência.
A avenida na direita inglesa
O circo tático inglês fica divertido quando olhamos para as opções desesperadas na espinhosa lateral direita. Com Reece James e Jarell Quansah fora de combate, sobra para Djed Spence assumir a bucha em uma linha improvisada. A transição defensiva britânica por aquele setor de repente virou uma incerteza assustadora.
É exatamente nessa avenida que a estratégia de contragolpe congolesa deve morar e buscar seu valioso espaço. Yoane Wissa vem jogando um bolão e está pronto para cair pela ponta, atacando a linha desconjuntada da Inglaterra. Um lançamento venenoso nas costas dessa defesa armada às pressas é um grande risco.
Enquanto os ingleses tentam descobrir como furar o bloqueio, a RD Congo conta com uma zaga física para apagar os incêndios e morder firme. Chancel Mbemba e Axel Tuanzebe formam um paredão incômodo que simplesmente não brinca em serviço. O goleiro Mpasi também já atestou que segura a bronca sob forte bombardeio.
A falácia da goleada fácil
Apostar que este duelo de mata-mata se transforme rapidamente em um banho de gols exótico é acreditar cegamente em contos de fadas. A Inglaterra pode até ostentar o talento para cavar uma vitória magra na reta final com Harry Kane. Porém, atropelar sem pena um adversário motivado e resiliente não é o que estamos vendo.
Os congoleses chegam empurrados pela euforia de superar a primeira fase pela primeira vez e não têm absolutamente nada a perder. Para a Inglaterra conseguir avançar sem sustos, o time todo terá que quebrar muita pedra diante das arquibancadas apreensivas. Uma linha tão dilatada pelo mercado cobra imediatamente essa aposta inteligente nos azarões.














