RD Congo — Uzbequistão: o favoritismo ganha pernas no ataque
RD Congo e Uzbequistão se enfrentam pela Copa do Mundo de 2026 em 27 de junho de 2026, 20:30 BRT, com cheiro de jogo grande para os congoleses. Não é noite para fazer conta com calculadora escondida na meia: a RD Congo precisa ganhar.
O ponto central aqui é simples, mas importante: o mercado já enxerga a RD Congo como favorita, só que ainda parece tímido diante do time que Sébastien Desabre colocou em campo. A escalação não está sussurrando cautela; está falando alto pelos lados.
A RD Congo trocou o casaco pesado por chuteira de velocidade
Com Nathanaël Mbuku e Brian Cipenga ao lado de Cédric Bakambu e Yoane Wissa, a RD Congo ganha outro jeito de atacar. É mais gente para agredir corredor, disputar segunda bola e transformar cruzamento meio torto em incêndio na área.
Isso pesa porque a equipe não desmontou sua base defensiva para se lançar ao vento. Lionel Mpasi, Aaron Wan-Bissaka, Axel Tuanzebe, Chancel Mbemba e Arthur Masuaku mantêm uma espinha dorsal forte, dessas que não deixam o jogo virar feira livre.
Desabre já tinha avisado que seria preciso correr riscos para buscar a classificação. A escalação confirma a fala do técnico: a RD Congo quer empurrar o Uzbequistão para trás, forçar erros e colocar Bakambu e Wissa perto do gol.
O empate contra Portugal mostrou uma seleção capaz de sofrer, resistir e morder na bola parada. A derrota por pouco para a Colômbia foi feia em alguns trechos, é verdade, mas também reforçou que existe goleiro, zaga e casca competitiva.
O Uzbequistão tem armas, mas vem dando brechas
Do outro lado, nada de tratar o Uzbequistão como figurante. Eldor Shomurodov e Abbosbek Fayzullayev começam jogando, e essa dupla tem qualidade para transformar um espaço mal fechado em susto daqueles que derrubam o café da mesa.
Fabio Cannavaro também não mandou um time entregue. Há rotação, com Abduvohid Ne’matov no gol e mudanças em setores importantes, mas a ideia parece competitiva: sobreviver aos momentos ruins e tentar acelerar quando Fayzullayev achar a bola limpa.
O problema é que o torneio tem cobrado caro cada desalinhamento uzbeque. Contra Colômbia e Portugal, as falhas de sincronia defensiva, as perdas em saída e os lances de bola parada viraram castigo quase instantâneo.
Mesmo nos amistosos contra Holanda e Canadá, o roteiro já aparecia: o Uzbequistão consegue competir por fases, mas sofre quando o ritmo sobe. Contra uma RD Congo mais física, mais direta e mais carregada de atacantes, esse detalhe vira avenida com placa luminosa.
Por que a vitória seca faz mais sentido
O total de gols até conversa com a partida, porque uma bola cedo pode destampar a panela. Mas a RD Congo ainda não é um time que abre bloco baixo como quem abre lata de sardinha, então depender de festival ofensivo parece pedir demais.
A goleada congolesa também não é meu caminho preferido. O Uzbequistão tem Shomurodov e Fayzullayev para criar pelo menos um momento de nervo, e em Copa do Mundo até lateral cobrado rápido vira capítulo de novela.
Por isso, a aposta mais limpa está no resultado final. A RD Congo tem urgência real, escalação mais agressiva, estrutura defensiva confiável e enfrenta justamente uma defesa que tem sofrido quando pressionada em velocidade e nos duelos físicos.
Não espero um passeio com banda tocando na arquibancada. Espero a RD Congo sendo mais madura no jogo de necessidade, martelando pelas pontas, brigando por rebotes e encontrando o gol que transforma a superioridade contextual em vitória.










