Encerrado
República Tcheca
03
México

República Tcheca — México: O absurdo tático tcheco vira presente no Azteca.

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O mercado de apostas adora uma narrativa pronta e, desta vez, comprou a historinha arranjada de que o México entraria em modo treino de luxo. Com a liderança do grupo sob controle, as cotas foram tímidas na precificação dos donos da casa. Afinal, o técnico Javier Aguirre confirmou que vai gerenciar a minutagem e poupar nomes importantes por causa de cartões amarelos.

Mas o problema de precificar apenas um lado é esquecer de olhar a aberração que acontece na prancheta do adversário. Acontece que a República Tcheca, precisando vencer desesperadamente para evitar o voo mais cedo de volta para casa, resolveu inovar. O time cometeu uma autossabotagem tática na escalação que tira qualquer lógica de uma reação.

A temida força aérea no hangar

O plano de jogo dos europeus ao longo dos últimos anos sempre dependeu da imposição pelo alto, do jogo direto e dos cruzamentos venenosos. Só que, num surto de inspiração totalmente incompreensível, decidiram ir a campo sem as suas principais torres. Patrik Schick e Tomáš Souček, a verdadeira espinha dorsal e a garantia de gol feio desse time, foram relegados ao banco.

Sem os seus dois alvos primários na grande área, a badalada e temida ameaça aérea da República Tcheca foi hilariamente cancelada antes mesmo do apito inicial. Agora, essa equipe pesada terá que inventar uma troca de passes magistral numa altitude na casa dos dois mil metros no gramado do Azteca. É uma manobra letal contra a própria saúde esportiva, já que esse grupo costuma pedir balão de oxigênio com uma hora de bola rolando.

E o histórico mais fresco já escancarava a dificuldade bizarra do time em segurar as pontas. Contra a Coreia do Sul e a África do Sul, eles acharam o caminho do gol cedo, mas logo depois apagaram de forma constrangedora. A equipe afundou perto da própria área grande por pura incompetência em reter a bola nos pés.

Aquela rotação que põe medo

Enquanto o desespero reina do lado de lá, Aguirre já avisou em alto e bom som que não vai distribuir camisas por pena ou prêmio de consolação. A equipe rodada que veste verde tranquilamente manda a campo nomes duríssimos num de seus sistemas favoritos. Eles contam com a reestreia do seguro zagueiro César Montes para dar sustentação caso os tchecos lembrem de mandar a bola lá nas nuvens.

Além disso, o meio e o ataque contam com uma estrutura que está bem longe de ser amadora. A presença de marcadores ferozes como Edson Álvarez se junta aos corredores letais aproveitados por Julián Quiñones, que adora castigar nas costas da marcação. A rotação existe, mas a espinha que sobra joga muito solta para punir a falta de entrosamento europeia.

A verdadeira sacada aqui é o cenário torto no cronômetro. Os visitantes vão precisar caçar um placar favorável sem suas referências ofensivas e, em algum momento, abrirão imensas crateras na zaga. Os comandados de Aguirre não precisam de um recital ou de uma goleada de três tentos para brilhar, basta aproveitar o latifúndio que a transição tcheca vai oferecer para marcar o seu golzinho providencial e observar o desespero alheio.

Aposta e veredito: Vitória (México) à ODD 1,84 — Sem os pilares do jogo aéreo e obrigados a ditar o ritmo correndo na altitude, os europeus viram o alvo perfeito para a eficiente equipe da casa.
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