EUA — Austrália: o muro australiano promete um jogo travado em Seattle
Há partidas que prometem fogos de artifício e outras que prometem trabalho de pedreiro. Esta, em Lumen Field, pertence à segunda categoria — e não por acaso.
A Austrália chega a Seattle com uma identidade nítida: 5-4-1, alas recuados e a paciência de quem aceita sofrer. É o futebol de Popovic, que valoriza o controle do jogo bem mais do que o controle da bola.
Contra a Turquia, os Socceroos venceram por 2 a 0 cedendo trinta finalizações e fazendo o goleiro Beach brilhar com oito defesas. Saíram de campo felizes da vida com 28% de posse. É essa a alma do time.
O muro fica ainda mais alto
O detalhe que torna tudo mais saboroso: Popovic deixou no banco justamente Irankunda e Metcalfe, os dois autores dos gols da estreia. A Austrália começa, portanto, ainda mais cautelosa do que o habitual.
A leitura é transparente. Segurar o jogo na lama por uma hora, aguentar a pressão e só então soltar os velocistas do banco contra pernas cansadas. Game-management em estado puro.
Diante de uma zaga alta como a de Souttar, Burgess e Circati, cruzamento e bola alçada são exatamente a dieta predileta. Eles adoram cabecear para longe e seguir a vida.
Os EUA perdem sua faca mais afiada
E aqui mora o ponto central. Christian Pulisic está fora por causa de uma pancada na panturrilha, e ele não é um desfalque qualquer.
Pulisic era o único capaz de furar um bloco fechado com um drible ou uma mudança de ritmo. Sem ele, o ataque americano pende para os cruzamentos e as segundas bolas — precisamente o que a muralha australiana mastiga com prazer.
Pepi entra como bom finalizador, mas não reproduz a condução nem a criação de Pulisic pela esquerda. A criatividade dos EUA, tão afiada no 4 a 1 sobre o Paraguai, perde seu fio principal.
O time de Pochettino deve dominar território, isso é quase certo. A questão é converter domínio em gols contra um adversário desenhado para evitar exatamente isso.
Considerei o empate, que tem lógica diante da disciplina australiana, mas um favorito embalado em casa costuma quebrar esses blocos cedo ou tarde. O Menos de 2,5 captura a mesma cautela com retorno melhor.
O cenário mais provável é um 1 a 0, 2 a 0 ou 1 a 1 de muita transpiração e pouca emoção — daqueles jogos que terminam com mais escanteios do que gols.














