Brasil — Marrocos: vitória brasileira tem chão firme
Brasil e Marrocos se encontram pela Copa do Mundo FIFA 2026 em um daqueles jogos que não deixam ninguém entrar no torneio de chinelo. A bola rola em 13 de junho de 2026, 19:00 BRT, e o cenário pede respeito dos dois lados: o Brasil é favorito, mas Marrocos está longe de ser figurante decorativo em álbum de figurinhas.
O ponto central do palpite está nas ausências marroquinas. Nayef Aguerd e Abde Ezzalzouli fazem falta em setores que seriam especialmente importantes contra este Brasil. Aguerd dava saída, leitura e equilíbrio pelo lado esquerdo da defesa; Abde era uma válvula de escape forte para carregar a bola e puxar contra-ataque. Sem os dois, Marrocos perde um pouco da firmeza atrás e também parte daquela arrancada que poderia bagunçar os laterais brasileiros.
Do outro lado, o Brasil não está inventando moda. Neymar está fora da estreia, mas isso já faz parte do plano atual, não é uma surpresa de vestiário com o técnico procurando colete no escuro. A estrutura provável com Alisson, Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro tem experiência, enquanto Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá dão o miolo de controle. Na frente, Raphinha, Matheus Cunha e Vinícius Júnior oferecem pressão, mobilidade e ataque ao espaço.
As baixas marroquinas mexem no mapa do jogo
Marrocos tem uma ideia clara com Walid Ouahbi: pressão em alguns momentos, bloco médio em outros e transições rápidas com Hakimi e Brahim Díaz. É uma seleção organizada, confiante e com goleiro grande em Bounou. O problema é que, sem Abde, o lado esquerdo perde aquele drible longo que estica o campo e obriga o rival a correr olhando pelo retrovisor.
Isso importa muito porque o Brasil deve tentar controlar a posse e acelerar quando encontrar Vini ou Raphinha em boas condições. Se a zaga marroquina ficar menos encaixada sem Aguerd, Matheus Cunha pode ser peça chata de marcar — no melhor sentido futebolístico, aquele atacante que não para quieto nem para foto oficial. Ele arrasta zagueiro, abre corredor e ajuda na pressão pós-perda.
Também há a questão de Mazraoui, que voltou a treinar, mas chega com dúvida de ritmo depois de problema físico. Se ele não estiver inteiro, o setor pode virar alvo de inversões brasileiras e combinações com Paquetá. Em Copa, um lateral meio travado já sente o jogo longo; contra ponta rápido, então, sente até o vento passando.
Favoritismo sim, passeio não
Não compro a ideia de goleada fácil. Marrocos raramente se desmonta, tem maturidade competitiva e sabe jogar partida grande. Hakimi e Brahim podem machucar em transição, especialmente se o Brasil perder a bola com os laterais adiantados. Danilo e Alex Sandro dão experiência, mas não são exatamente velocistas de pista olímpica.
Por isso, a vitória simples do Brasil parece mais interessante do que uma aposta em handicap mais pesado. A Seleção tem mais recursos individuais, banco mais profundo e um plano já ensaiado para jogar sem Neymar. Endrick, Martinelli e outras opções podem mudar o ritmo no segundo tempo, quando o jogo começar a ficar com aquela cara de perna pesando e treinador olhando para o banco como quem escolhe sobremesa.
O total de gols também não me seduz tanto. A estreia, o respeito mútuo e o calor podem puxar um ritmo mais controlado, mas a defesa marroquina remendada e as transições com Hakimi deixam espaço para sustos. Em vez de tentar adivinhar se o jogo fecha ou abre, prefiro ficar no lado que tem mais caminhos consistentes para vencer.
No fim, o mercado parece cauteloso com razão, mas não pesa o suficiente o impacto combinado das perdas de Aguerd e Abde para Marrocos. O Brasil chega com escalação forte, desenho claro e armas para explorar exatamente as zonas que ficaram mais sensíveis no adversário.






