França — Senegal: os Leões com garras afiadas para segurar o favorito
O Mundial 2026 começa para França e Senegal com um sabor especial. 24 anos depois do histórico 1-0 em Seul que marcou a abertura da Copa de 2002, os Leões voltam a cruzar o caminho dos Bleus na estreia de um grupo que ainda tem Noruega e Iraque. E, se depender do que vimos na preparação, este jogo no MetLife Stadium promete muito mais equilíbrio do que as odds sugerem.
O ataque que seduz e a defesa que preocupa
Didier Deschamps surpreendeu ao montar uma França mais agressiva do que o habitual em torneios. Contra a Irlanda do Norte, no último amistoso, o técnico escalou um 4-2-3-1 com Olise, Dembélé, Doué e Mbappé — quatro homens de frente — e apenas Tchouaméni e Rabiot como volantes. O resultado foi um ataque vibrante, coroado com o hat-trick de Michael Olise, mas também uma defesa que deixou espaços: os norte-irlandeses marcaram em uma transição rápida no segundo tempo, algo que já havia custado caro contra a Costa do Marfim, que venceu por 2 a 1 com dois gols em contra-ataques.
A L'Équipe foi direta: a composição provável “pende para o ataque” e enfrenta um “perigoso desafio de equilíbrio”. E é aí que Senegal entra. O time de Pape Thiaw tem no contra-ataque sua principal arma. Sadio Mané, Ismaïla Sarr e Nicolas Jackson formam um trio rápido, técnico e mortal quando o adversário sobe linhas. Exatamente o tipo de ataque que a Costa do Marfim usou para castigar a França.
A espinha dorsal que voltou
Se nos amistosos contra Estados Unidos (derrota por 3 a 2) e Arábia Saudita (0 a 0) o Senegal pareceu vulnerável, o cenário mudou. Koulibaly e Idrissa Gana Gueye, que eram dúvidas sérias por lesão, estão recuperados e devem começar jogando. A dupla é a alma da defesa e da proteção da zaga senegalesa — sem eles, a linha defensiva foi um “naufrágio total”, nas palavras do site Wiwsport. Com eles, o time que foi campeão africano (com todo o simbolismo que isso carrega) volta a ter solidez.
Além disso, Gana Gueye é o cão de guarda que faltou no meio-campo nos amistosos. Ao lado de Pape Gueye e Lamine Camara, forma um trio capaz de incomodar Tchouaméni e Rabiot, que não terão vida fácil para construir jogadas. E com Koulibaly na zaga, a transição defensiva ganha um líder que organiza e fecha os buracos.
Motivação extra e o peso do favoritismo
Este não é um jogo qualquer para o Senegal. A federação local e a imprensa tratam a partida como “um jogo diferente”, uma chance de “enviar uma mensagem ao mundo”. O zagueiro Souleymane Diawara, ex-internacional, resumiu: “Senegal tem as armas para machucar a França”. E Luis Fernandez, ex-jogador francês, foi ainda mais direto: “Sim, tenho medo da seleção do Senegal”.
A França, por sua vez, carrega o peso de ser favorita ao título. Deschamps admite que a seleção tem ambição legítima de vencer, mas também sabe que o caminho é longo. E estreias em Copas do Mundo costumam ser tensas — como em 2002, justamente contra Senegal, quando os Bleus tropeçaram. O time de 2026 tem mais qualidade, mas o novo esquema ofensivo é uma faca de dois gumes.
O mercado coloca a França como favorita absoluta, com odds por volta de 1,50 para a vitória simples. Mas esse número desconsidera dois fatores essenciais: a recuperação defensiva de Senegal e a fragilidade transicional da França. Uma vitória francesa por 1 a 0 ou 2 a 1 — placares comuns em estreias de Copa — ainda garante o handicap +1,5 para os Leões. E, se Mané e companhia estiverem inspirados, o empate ou até a vitória senegalesa não seriam surpresa.







