Suíça — Colômbia: Departamento médico dita o ritmo do jogo.

O mercado de apostas adora olhar para o espelho retrovisor e achar que o passado recente sempre entra em campo. A Suíça vem de vitórias maduras e já se sente totalmente no quintal de casa jogando no Canadá. Com isso, as cotações ficaram irrealisticamente esticadas para este embate de mata-mata nas oitavas de final.
O grande detalhe que vira esse jogo de cabeça para baixo é o ataque suíço, que basicamente evaporou na maca. Johan Manzambi, o garçom que vinha rasgando defesas com três gols e duas assistências na Copa, já foi descartado. Para piorar a tragédia, Ruben Vargas e Djibril Sow abandonaram o último treinamento e viraram dúvidas gigantes.
O técnico Murat Yakin avisou com pose de durão que não vai mudar o esqueleto da equipe, agindo como se estivesse tudo maravilhoso rumo ao jogo. O problema prático é que, sem seus criadores de ofício, a Suíça perde qualquer pingo de veneno para assustar o goleiro rival. A tendência claríssima é assistirmos a um time acuado, rezando forte para o relógio andar rápido.
Choro colombiano e o brilhantismo puro
Do outro lado do balcão, o técnico Néstor Lorenzo gastou muita saliva na coletiva reclamando de absolutamente tudo à sua volta. O cara chorou sobre fuso horário pesado, o desgaste dos voos e até o clima canadense atrapalhando os planos. Mas a realidade nua e crua é que a Colômbia possui talento individual suficiente para resolver a vida mesmo se jogasse de muletas.
É fato incontestável que os sul-americanos vão chorar a ausência do brigador Jhon Córdoba, que estourou o músculo da virilha. No entanto, o bando colombiano mantém na linha de frente o terror absoluto de Luis Díaz, Jhon Arias e a canhota calibrada de James Rodríguez. É uma turma que esbanja categoria e domina o toque de bola curto para implodir retrancas.
Em resumo, uma seleção pisa neste gramado mutilada em sua criatividade ofensiva, enquanto a adversária vem faminta para alugar o meio-campo. A Colômbia já demonstrou paciência monge para triturar defesas em confrontos espinhosos e travados. Esse deslumbramento do mercado com os resultados anteriores da Suíça criou uma brecha absurdamente convidativa e mal calculada.




















