Paraguai — França: O mercado sonha com goleada, o jogo promete tédio

Quem olha para as linhas esticadas desse confronto acha que a França vai entrar em campo contra meros cones de treinamento nas oitavas de final. As casas de apostas parecem completamente deslumbradas com aquele recente passeio de 3 a 0 sobre a Suécia.
É a velha preguiça do mercado operando a pleno vapor. Eles viram Kylian Mbappé passear em campo aberto, somar seis gols no torneio e já desenharam um placar elástico na cabeça. O consenso aponta para um previsível 3 a 1, tratando a partida como matemática básica.
O muro insuportável de Gustavo Alfaro
O pequeno e crucial detalhe ignorado pelos analistas de plantão é que o Paraguai não vai ao gramado para proporcionar espetáculo. Eles entram em campo só para destruir qualquer tentativa de toque de bola. Foi assim que arrastaram a gigante Alemanha para a lama no jogo anterior.
Os sul-americanos ficaram no 1 a 1 correndo incansavelmente atrás da bola por 120 minutos, apostando no herói dos pênaltis, o goleiro Orlando Gill. O técnico Gustavo Alfaro montou um sistema defensivo absurdo e pragmático. É o autêntico ônibus estacionado na grande área.
Um ataque remendado e sem pressa
Para piorar a vida de quem pagou ingresso esperando chuva de gols, as válvulas de escape do Paraguai estão comprometidas. Julio Enciso e Gabriel Avalos sentiram lesões ruins contra os alemães e, se entrarem em campo, estarão jogando no sacrifício puro.
Sem explosão física para armar um contra-ataque decente, a seleção guarani não vai sequer arranhar a estabilidade da forte zaga francesa. O foco do time será rebater bolas o tempo todo. Do outro lado, Didier Deschamps também perdeu o pilar Aurelien Tchouameni de última hora.
Com a entrada do jovem Manu Koné, que tem um perfil muito mais focado no drible e no avanço, a França perde cadência pura de meio-campo. Isso significa que o time precisará rodar a bola com ainda mais paciência contra a trincheira paraguaia para achar furos.
A ilusão do placar elástico
O roteiro tático deste mata-mata é cristalino e nada glamoroso. Veremos um exercício agonizante de posse de bola da seleção europeia, que tentará furar um bloqueio de dez homens cravados na zaga. Uma vitória burocrática da França por 2 a 0 é um desfecho muito provável.
Cheguei a olhar com carinho para o handicap a favor do Paraguai, assumindo que eles vão amarrar a partida com fita isolante. Porém, um 2 a 0 pragmático dos franceses destruiria o handicap, enquanto encheria o nosso bolso no mercado de gols com excelente folga.





















