Canadá — Marrocos: A ilusão da correria contra a classe técnica

Ah, o encanto romântico dos co-anfitriões. As casas de apostas olham para estas oitavas de final e compram a ideia de que o Canadá vai engolir os rivais só na base do suor. Estão oferecendo uma odd maravilhosa para os africanos por puro medo de um suposto desgaste físico.
É muito bonitinho achar que Marrocos vai entrar em campo dormindo. Sim, eles jogaram 120 minutos intensos contra a Holanda, mas a fadiga está sendo supervalorizada pelo mercado. O peso desse cansaço não supera o imenso choque de realidade técnica que teremos na partida.
O apagão no meio-campo canadense
O que a linha confusa ignora completamente é o verdadeiro buraco negro na formatação canadense. A fratura na perna de Ismaël Koné tirou do técnico Jesse Marsch o seu único homem imune à pressão alta. Sem ele no gramado, a saída de bola da zaga vira um autêntico deus nos acuda.
Restou para a dupla Eustáquio e Saliba a ingrata missão de tentar caçar os fantasmas adversários. E não estamos falando de um toque de bola qualquer do outro lado. Marrocos vai rodar o jogo com atletas requintados como Brahim Díaz, Ounahi e El Khannouss passeando pelo centro.
O plano de jogo do Canadá baseia-se numa intensidade desenfreada para tentar sufocar a posse inimiga. O problema fatal é que a seleção marroquina é mestre absoluta em absorver pressão. Eles simplesmente colocarão a bola no chão, fazendo os mandantes correrem até faltar ar.
Relógio correndo contra o encanto
Para complicar todo o drama local, o grande astro Alphonso Davies está jogando com um cronômetro amarrado no pulso. Ele sofre com o rigoroso controle médico dos seus preciosos minutos em campo. Se atuar apenas trechos isolados, toda aquela perigosa transição pela ala esquerda perde seu brilho.
Enquanto o time canadense precisa transformar o confronto num jogo maluco de basquete para tentar pontuar, Marrocos compreende a cadência pura. O técnico Mohamed Ouahbi armou um time cínico no bom sentido, travando os espaços traseiros de forma muito limpa se largarem na frente.
Precisamos abandonar esse fetiche com seleções que correm o tempo todo apenas pela empolgação da torcida. A equipe do Norte da África é muito tarimbada e engole confrontos táticos de alto nível no café da manhã. Aproveitar essa cotação inflada na pura classe técnica é mandatório.






















