Suíça — Argélia: As casas de apostas ignoram o calendário de jogos.

Parece que quem define as cotações nas casas de apostas esqueceu de conferir o básico: a tabela do torneio. Precificar este jogo do mata-mata como um duelo tão equilibrado é fechar os olhos para a realidade crua e física. O mercado está cego pelo peso das camisas, ignorando alegremente a fadiga de quem correu dobrado.
A seleção da Suíça está tirando férias remuneradas em Vancouver há exorbitantes oito dias. Eles nem sequer precisaram arrumar as malas para trocar de sede após superarem o Canadá. Enquanto isso, a Argélia chega ofegante após sobreviver a um caótico e exaustivo empate contra a Áustria.
O mistério debaixo das traves e o ataque no estaleiro
Como se o cansaço acumulado não bastasse, o técnico Vladimir Petkovic tem uma enorme dor de cabeça na sua defesa. O gol argelino virou um teste para cardíacos durante os últimos jogos, com goleiros entrando em pânico sob pressão mínima. Defender cruzamentos virou uma roleta-russa de falhas e nervosismo.
Para piorar a vida dos argelinos, o desfalque iminente de Mohamed Amoura quebra completamente o planejamento da equipe. Sem a explosão e a velocidade de seu principal atacante para puxar os contragolpes, o time perde seu veneno nas transições. Vai ser extremamente difícil castigar as costas da zaga adversária sem ele.
Um relógio focado no controle do jogo
Do outro lado, Murat Yakin comanda uma estrutura blindada que dificilmente entra em desespero na posse de bola. Mesmo com Luca Jaquez sendo dúvida na lateral direita, a provável entrada de Denis Zakaria garante o fechamento da casinha com muita força. A intermediária será mastigada com paciência pelo bom toque de Granit Xhaka.
Poderíamos ser seduzidos a acreditar que a instabilidade da defesa argelina renderia um placar abarrotado de gols, mas é melhor frear as emoções. A Suíça adora cultivar o péssimo hábito de tirar o pé do acelerador no segundo tempo. Apostar num massacre é um risco desnecessário quando a porta da vitória simples está escancarada.
Com um adversário pesado pelo calendário, sem sua principal válvula de escape nas pontas e vivendo uma crise crônica de identidade defensiva, a Suíça tem a situação controlada. Aproveitar essa odd inflada num time que chega voando fisicamente para estes 16 avos de final é imperativo. O relógio suíço só precisa continuar batendo no ritmo normal.





















