Turquia — EUA: O festival do pragmatismo na Copa
O Grupo D já está com a fatura liquidada antes mesmo da bola rolar neste gramado de Los Angeles. As casas de apostas, em mais um surto de otimismo, precificaram este duelo como um amistoso caótico de fim de festa. Acreditam fielmente que teremos uma chuva de bolas na rede.
É a velha armadilha de achar que um jogo sem peso na tabela vira automaticamente uma pelada de fim de ano. Mas basta olhar para o cenário tático para perceber que essa linha de pensamento é uma piada. A realidade do confronto é bem mais pragmática e modorrenta.
Pochettino e a síndrome do plástico bolha
Do lado norte-americano, o único objetivo real é sair de campo sem ninguém suspenso para o mata-mata. Mauricio Pochettino já deixou claríssimo que não vai correr riscos desnecessários. Quem pendurou o cartão amarelo, como Balogun, Adams e Richards, vai esquentar o banco.
Até o astro Pulisic deve ter seus minutos controlados rigorosamente pela comissão técnica. Com um time reserva e focado na gestão de riscos, os Estados Unidos não vão transformar o gramado em uma pista de corrida. A ordem é baixar as linhas, amarrar o ritmo e deixar o relógio andar.
A posse de bola do desespero
Do outro lado da trincheira, temos uma Turquia desesperada para juntar os cacos do próprio orgulho. Vincenzo Montella está na corda bamba e mandará a campo seus figurões para tentar salvar sua dignidade. Eles vão dominar a posse de bola e tentar ditar as regras, sem dúvida.
O problema é que a seleção turca vem fazendo uma Copa horrível e mostrou uma alergia crônica a finalizar jogadas. Eles rodam a bola, ensaiam um sufoco, mas simplesmente não sabem o que fazer quando pisam na grande área. Não é à toa que a equipe continua zerada na estatística de gols.
Esperar que um ataque totalmente inoperante de repente desperte e resolva golear é acreditar em contos de fadas esportivos. Junte a péssima pontaria turca com a postura burocrática dos norte-americanos, e temos a receita perfeita para um jogo travado.
O mercado enlouqueceu ao oferecer cotações tão gordas para um placar magro. Fugimos da armadilha de tentar prever o vencedor desse duelo desajeitado, pois o erro descarado das casas mora estritamente no número de gols.














