Japão — Suécia: sistema japonês superior e defesa sueca frágil
O confronto entre Japão e Suécia, neste sábado (25 de junho de 2026, 20:00 BRT), pela última rodada do Grupo F da Copa do Mundo, coloca frente a frente duas realidades opostas. O Japão vem de uma atuação consistente contra a Tunísia (4 a 0) e um empate corajoso diante da Holanda, enquanto os suecos tentam digerir o 5 a 1 sofrido para os neerlandeses. O que o mercado ainda não precificou direito é a solidez defensiva japonesa e as fragilidades estruturais da Suécia.
Defesa sueca em frangalhos
A linha de defesa da Suécia foi exposta de forma brutal contra a Holanda. Os cinco gols sofridos não foram acaso: a equipe de Graham Potter mostrou dificuldade em se recompor após transições rápidas e sofreu com ataques pelas costas da linha defensiva. As mudanças promovidas por Potter – com Lindelöf deslocado para o meio-campo e Stroud como ala esquerdo – tentam corrigir isso, mas o histórico recente contra Noruega (3 a 1) e Grécia (2 a 2) já acendera o alerta.
Mesmo com a dupla de ataque de elite – Isak e Gyökeres –, a Suécia não consegue controlar o jogo quando perde a bola. O meio-campo, agora com Lindelöf e Ayari, carece de poder de contenção para proteger os zagueiros. Esse desequilíbrio é um convite para o Japão, que sabe explorar espaços com seus atacantes móveis.
Japão: coesão e pressão inteligente
O técnico Hajime Moriyasu deixou claro que não vai se deslumbrar com uma goleada. “A busca por muitos gols pode quebrar nosso equilíbrio”, disse. Isso mostra maturidade tática: o Japão prefere controlar o jogo a se expor. Mesmo sem Kubo, Mitoma e Minamino – ausências importantes no ataque –, o sistema 3-4-2-1 funciona como um bloco compacto, com Ueda como referência e Kamada, Doan e Maeda flutuando entre as linhas.
A pressão alta japonesa, combinada com uma linha de três zagueiros sólida (Watanabe, Taniguchi e Ito ou Junnosuke Suzuki), dificulta a saída de bola sueca. Além disso, a capacidade de transição rápida – como visto contra a Inglaterra em março – pode castigar qualquer desatenção defensiva. O Japão não precisa dominar a posse o tempo todo; basta ser letal nos momentos certos.
A pressão do deve vencer
A Suécia precisa vencer para garantir vaga sem depender de resultados paralelos. Isso deve levá-la a se expor mais do que gostaria. Mas o problema é que, quando a Suécia ataca com muitos jogadores, deixa buracos atrás – exatamente o que o Japão mais gosta de explorar. O risco de deixar Isak e Gyökeres isolados é real, mas a qualidade dos meias japoneses em roubar a bola e sair jogando deve sufocar as opções de passe.
Os analistas suecos reconhecem a preocupação: Bojan Djordjic, do SVT, destacou que a Suécia precisa de jogadores que recebam de costas para o gol e carreguem a bola sob pressão – algo que Kulusevski (ausente) fazia bem. Sem ele, o caminho fica mais previsível e dependente de bolas longas para os atacantes.
No outro lado, o Japão não está em clima de “jogo ganho”. A vitória sobre a Tunísia mostrou seriedade e foco. Moriyasu quer o primeiro lugar do grupo, mas sem loucuras. Esse equilíbrio entre ambição e controle é o que torna a aposta na vitória japonesa tão atrativa.














