África do Sul — Coreia do Sul: o desespero tático encontra o contra-ataque
A situação da África do Sul neste Grupo A beira a comédia dramática. Precisando desesperadamente vencer para avançar, a equipe entra em campo após dinamitar seu próprio setor criativo. Teboho Mokoena, o maestro e cobrador de pênaltis, está suspenso, assim como o criativo Themba Zwane.
É como tentar realizar um assalto cinematográfico tendo deixado a chave do carro de fuga em casa. O técnico Hugo Broos é forçado pela matemática a abandonar a retranca e partir para o abafa irresponsável. Bafana Bafana terá que propor o jogo sem as duas únicas peças capazes de cadenciar e organizar a posse de bola no gramado.
O convite VIP para o baile asiático
Do outro lado, a Coreia do Sul vive o conforto de quem joga pelo empate, embora o técnico Hong Myung-bo insista em negar a intenção de apenas se defender. A melhor notícia é a provável correção lá na frente, com Son Heung-min voltando para atuar aberto na ponta esquerda. Essa mudança simples e lógica devolve a letalidade verdadeira à equipe.
Com a entrada de um atacante de ofício bombando o miolo de zaga, como Oh Hyeon-gyu, as peças táticas finalmente vão se encaixar no tabuleiro coreano. O roteiro não poderia ser mais perfeito para a seleção castigar o inevitável desespero dos adversários. Quando os alas sul-africanos dispararem, o gramado ficará generosamente escancarado nas costas.
A comovente vista grossa do mercado
As linhas de apostas enxergam este jogo como se fosse um choque de Copa do Mundo disputado em condições normais de temperatura e pressão. As casas assumem, de forma otimista, que os africanos vão conseguir costurar jogadas lúcidas sem o motor principal de sua meiúca. A realidade nua, porém, comprova que estamos caminhando alegremente rumo a um funeral tático.
Passar batido pela aposta em poucos gols foi uma cautela necessária, apesar do ataque sul-africano estar jogando de forma inoperante. A cilada da aposta em cenário travado é que o peso nas costas vai rachar a defesa dos africanos na reta decisiva da partida. Nos vinte minutos finais, a transição coreana pode deitar e rolar para transformar uma vitória chocha em estrago sonoro.
Compondo cenário com essa tempestade perfeita que o torneio desenhou, nós apenas precisamos capitalizar em cima da ingenuidade imposta pelas baixas das suspensões. O esquadrão mais disciplinado da chave pegará um oponente afobado, lotado de lacunas e precisando do placar a qualquer custo. Basta sentar confortavelmente e curtir uma verdadeira clínica de como fuzilar aproveitando espaços vazios.













