Suíça — Canadá: As casas deliram com uma goleada ilusória
O mercado às vezes age como aquele torcedor emocionado que ganha uma pelada de fim de semana e já se acha pronto para levantar a taça da Champions League. As casas precificaram esse jogão no BC Place, em Vancouver, praticamente como um grande cara ou coroa.
A justificativa cega das cotações? O belo e sonoro seis a zero que o Canadá enfiou no Catar pela segunda rodada. Mas vamos combinar e olhar para o nível da realidade: a seleção asiática teve dois jogadores expulsos de forma infantil, o primeiro deles logo aos trinta e três minutos.
Fazer meia dúzia de gols contra um catadão desnorteado e com dois homens a menos não é exatamente um atestado repentino de que você virou uma superpotência tática. A ilusão de ótica provocada pelo placar esticado fez a ficha cair do lado canadense, mascarando buracos graves.
O abismo no meio-campo não aceita remendos
A dura realidade vai bater na porta canadense logo no apito inicial e ela vem em dose dupla: Granit Xhaka e Remo Freuler. O setor de criação da Suíça é uma máquina europeia fria e altamente entrosada, montada para ditar o ritmo e asfixiar adversários afobados.
E o que o técnico canadense Jesse Marsch tem para tentar parar essa engrenagem? Um problemão difícil de esconder. Ismaël Koné, o motorzinho absoluto do time, quebrou a perna no último jogo e está fora da competição, deixando o corredor criativo totalmente desguarnecido.
Sem seu volante principal, quem assume a bronca é um substituto que não tem, nem de perto, a mesma capacidade de carregar a bola e mastigar as linhas rivais. Para piorar a dor de cabeça, o craque isolado Alphonso Davies continua sem condições de atuar o jogo inteiro, sendo apenas um recuso agudo vindo do banco.
Choque de realidade sob o teto fechado
O Canadá entra no gramado sintético sabendo que um empate basta para ficar com a ponta da tabela e manter o conforto da sua torcida. Só que recuar linhas e brincar de segurar pontinho contra um roteiro de posse suíça é a receita mais rápida para o desastre absoluto.
A Suíça não engole essa história de esperar amigavelmente pelos minutos finais, pois necessita da vitória de qualquer jeito para desbancar o mandante do topo. O elenco visitante rodou muito pouco, tem substituições letais de ataque, como o veloz Manzambi, e pisa firme como um autêntico europeu cascudo.
É óbvio que o barulho da torcida da casa vai ser ensurdecedor desde o aquecimento, mas canções de arquibancada não roubam bola no pé do Xhaka. A assimetria estrutural e técnica entre esses dois meias-canchas é imensa, provando que o mercado engoliu puramente a narrativa romântica do país anfitrião heróico.














