Panamá — Croácia: O mercado confundiu tic-tac cadenciado com tiroteio
O mercado parece ter bebido da mesma água daquela estreia maluca entre Croácia e Inglaterra. As casas de apostas estão precificando este duelo como se fosse uma pelada resolvida no basquete, tudo porque a defesa croata virou uma peneira no último jogo.
Acontece que o técnico Zlatko Dalić não é de rasgar dinheiro e já avisou que vai fechar a casinha. A imprensa relatou que o plano é óbvio: abandonar aquela invenção desastrosa na defesa e voltar para uma linha de quatro tradicional para estancar a sangria.
A ilusão do futebol heavy-metal
Esperar um jogo franco e super aberto aqui é ignorar completamente como essa geração da Croácia opera no gramado. Luka Modrić e Mateo Kovačić não são velocistas querendo um jogo de transição caótica, mas sim regentes que preferem cozinhar o adversário em banho-maria.
Do outro lado do campo, o cenário também ajuda o nosso palpite. A seleção do Panamá sabe que está jogando pela própria sobrevivência na Copa, especialmente após o vacilo cruel nos minutos finais contra Gana. Ninguém ali vai se expor de graça.
O que veremos é um autêntico ônibus estacionado na frente da meta de Orlando Mosquera. O esquema panamenho promete ser um 5-4-1 ferrolho, rezando por um milagre nas bolas paradas e se fechando para não virar saco de pancadas.
O cérebro centro-americano desligado
O detalhe mais gritante do confronto é o principal desfalque do Panamá: o meia Adalberto "Coco" Carrasquilla está fora da partida. Ele era simplesmente a única engrenagem capaz de fazer o time sair da defesa com alguma lucidez geométrica.
Sem o seu principal armador, a capacidade de o Panamá furar a forte marcação europeia e contribuir para o placar cai de forma drástica. Vai faltar fôlego na transição e sobrar rebote limpo para os zagueiros croatas retomarem a posse sem suar a camisa.
Até seria possível pensar na Croácia esticando o placar, mas a natureza dos europeus fala mais alto. Se eles abrirem uma modesta vantagem, o instinto dessa rapaziada veterana não é atropelar correndo em busca do terceiro gol.
Assim que o placar ficar favorável e confortável, a ordem será colocar o pé na bola, poupar as pernas castigadas pelo calendário e rodar o jogo lateralmente até o juiz apitar. O cenário tático está perfeitamente armado para um trunfo modorrento e bem econômico.














