Inglaterra — Gana: busca por gols em Foxborough
Thomas Tuchel não veio para os Estados Unidos para administrar resultados. Depois de uma estreia emocionante contra a Croácia, com uma vitória por 4 a 2, o técnico alemão deixou claro: quer ver sua Inglaterra atacando com personalidade. E, contra Gana, o cenário é ainda mais propício para um jogo movimentado.
O mercado colocou a linha de 3,5 gols em 2,338, mas os fatos dentro de campo sugerem que esse número pode ser baixo. A Inglaterra deve entrar com força total no ataque, com Harry Kane, Jude Bellingham, Anthony Gordon e Noni Madueke — sem contar as opções de peso no banco, como Bukayo Saka e Marcus Rashford. É um arsenal que poucas defesas do mundo conseguem neutralizar por 90 minutos.
A zaga de Gana tem um problema chamado Harry Kane
Gana, sob o comando de Carlos Queiroz, deve se fechar em um bloco compacto, mas a estratégia tem limites. A maior preocupação está no gol: Lawrence Ati-Zigi é dúvida depois de sair lesionado no intervalo contra o Panamá. Quem assume é Benjamin Asare, um goleiro sem experiência em Copas do Mundo, que vai estrear justamente contra o melhor finalizador do torneio.
Sem o goleiro titular, a defesa de Gana fica ainda mais vulnerável em bolas paradas e cruzamentos — armas que a Inglaterra usa com frequência. O retrospecto recente não ajuda: no amistoso contra a Alemanha, Gana sofreu dois gols; contra a Áustria, levou cinco. A organização tática de Queiroz existe, mas não apaga as fragilidades individuais.
Inglaterra não vai se segurar, mesmo com a vantagem
Uma leitura comum é que a Inglaterra, se abrir o placar cedo, pode recuar e administrar. Mas Tuchel refutou essa ideia publicamente. Depois do jogo contra a Croácia, ele criticou o time por passar muito tempo em bloco baixo e pediu mais coragem. A ordem é atacar, pressionar e ser protagonista.
Na estreia, a Inglaterra criou chances o suficiente para marcar mais de quatro gols — Bellingham teve um gol anulado por impedimento milimétrico, e Livakovic fez defesas importantes. Agora, com Gana devendo pressionar menos que a Croácia, o volume ofensivo inglês tende a ser ainda maior. Mesmo que Saka comece no banco, Madueke mostrou contra os croatas que pode ser uma ameaça constante pela direita.
Gana também sabe balançar as redes
Não é só a Inglaterra que vai criar. Gana tem jogadores rápidos e habilidosos no ataque, como Antoine Semenyo, Kamaldeen Sulemana e o artilheiro Brandon Thomas-Asante. Thomas Partey volta ao meio-campo, o que dá mais qualidade na saída de bola e pode gerar contra-ataques perigosos.
O 1 a 0 magro contra o Panamá escondeu o potencial ofensivo de Gana. A seleção africana teve chances claras no segundo tempo e poderia ter aberto o placar antes do gol nos acréscimos. Contra a Inglaterra, que mostrou falhas defensivas nos dois gols sofridos contra a Croácia, a tendência é que Gana encontre espaços para marcar.
A combinação é perfeita para o total de gols: um ataque inglês em estado de graça, com um técnico que incentiva o ataque, contra uma defesa de Gana desfalcada e um goleiro inseguro. E, do outro lado, um time que não vai se entregar e tem armas para furar a zaga inglesa. O 3 a 1 ou 4 a 1 parecem resultados muito mais prováveis do que um 2 a 0 ou 1 a 0.













