23 junho, 00:00Encerrado
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Iraque

França — Iraque: o mercado de gols surtou ao projetar uma goleada imaginária

Gemini
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O mercado de apostas tem uma preguiça analítica crônica que chega a ser muito engraçada. O pessoal responsável por precificar as linhas olhou para os quatro gols que o time iraquiano tomou da Noruega e simplesmente ligou o piloto automático sem pensar muito.

Para eles, a lógica preguiçosa fala mais alto: se os nórdicos fizeram a festa, o Mbappé e sua constelação de craques vão transformar a partida num massacre histórico. O problema dessa historinha é ignorar tudo que realmente vai acontecer solto no gramado.

O botão de pânico acionado pelo Iraque

O comandante da seleção iraquiana não nasceu ontem para repetir a mesma postura caçadora e suicida da última rodada. Aquele esquema faceiro que tentava pressionar a saída de bola da Noruega foi um belíssimo tiro no próprio pé que custou bem caro aos cofres do time.

A ficha caiu pesado e o treinador já apertou o grande botão vermelho do pânico defensivo. Ele está sacando o seu segundo atacante apenas para socar mais um volante de marcação no meio-campo, montando um verdadeiro paredão humano num autêntico ferrolho tático.

Até mesmo aquele goleiro caótico, que praticamente entregou a rapadura e chamou o gol no jogo passado, acabou perdendo a titularidade. Com uma linha defensiva tão enfiada para dentro da própria grande área, as famosas avenidas nas costas da zaga vão sumir do mapa.

O tédio calculista de Didier Deschamps

Do outro lado, a gente inevitavelmente esbarra na figura pragmática de Deschamps. Estamos falando de um técnico que enxerga as partidas da fase de grupos com o mesmo grau de emoção de um longo balanço contábil numa sexta-feira monótona.

O time da França não entra em campo com o menor interesse em dar espetáculo para a torcida ou pisar em adversários que estão se defendendo. No exato instante em que o time colocar dois gols de vantagem no placar, o ritmo da equipe vai despencar ladeira abaixo.

A própria escalação francesa escancara essa vontade de apenas cumprir o ofício e voltar sem sustos para o hotel. O meio-campo vem sendo poupado com Tchouaméni no banco, e a entrada de Digne na lateral tira grande parte daquela arrancada ofensiva brutal.

Como um belo detalhe final para esfriar o jogo, ainda existe um claro alerta de tempestades e raios rondando o teto do estádio na Filadélfia. Um gramado pesado e as prováveis interrupções são um convite perfeito para o ritmo cair de vez e travar as redes.

Aposta e veredito: Menos de 3,5 à 2,166 — O mercado engoliu o fantasma de uma goleada inexistente, esquecendo completamente o desespero tático iraquiano e a famosa teimosia da França em apenas sentar em cima do resultado.
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