Uzbequistão — Colômbia: a altitude e o ônibus estacionado secam os gols
Pegar a vitória simples da Colômbia na casa de 1,40 é algo que serve apenas para arredondar o troco da padaria. É cômico ver as bancas projetando um carnaval sul-americano, ignorando os fatores estruturais do confronto. Quem confia em massacre não percebeu a armadilha desenhada para o jogo.
Falta de ar e excesso de zagueiros
O palco do duelo é o imponente Estádio Azteca, onde o oxigênio costuma ser artigo de luxo absoluto. Tentar correr feito um maratonista nesse ar rarefeito é pedir para esgotar o tanque de combustível rapidamente. A seleção sul-americana sabe bem dosando o esforço em cenários assim.
Do outro lado, o Uzbequistão faz a sua primeiríssima partida na história das Copas do Mundo. Você realmente acha que eles vão apostar num futebol ofensivo contra os favoritos? O técnico vai simplesmente estacionar o clássico ônibus com a trava de mão puxada.
Com uma postura tática envolvendo uma linha de cinco zagueiros, a missão do estreante é cristalina: não sofrer uma goleada humilhante logo de cara. Eles vão amarrar a partida, congestionar a entrada da própria área e estragar o ritmo sul-americano sempre que possível.
Para piorar o já limitado arsenal uzbeque, a junta médica da FIFA tirou de combate o meia Masharipov, vetado por problemas físicos. Sem o seu principal cérebro criativo, a seleção perde totalmente a pequena fluidez que tinha. Os contra-ataques se resumirão a chutões para o centroavante brigar sozinho.
Administrando o balão de oxigênio
A equipe da Colômbia carrega um favoritismo inegável, liderada por nomes super talentosos e acostumados a castigar a defesa adversária. Contudo, furar um bloqueio profundo em condições exaustivas de altitude exige paciência crônica, não uma correria irracional nos primeiros minutos.
A lógica dita que a equipe colombiana encontre seus gols normais e rapidamente acione o famoso modo de economia de bateria. Tocar a bola lateralmente e poupar os pulmões para os próximos jogos no torneio será o foco. Ninguém vai se matar correndo para construir uma goleada plástica no sufoco.
A distribuição das cotações no mercado de gols supõe uma partida aberta que simplesmente não condiz com o roteiro de hoje. O cenário é de um ferrolho denso somado às limitações físicas impostas pelo próprio ambiente do México. Esperar um festival de redes balançando aqui é abraçar a ingenuidade de forma integral.







