Áustria — Jordânia: a margem estreita do favorito
Tem jogo grande rolando na Califórnia. A Copa do Mundo de 2026 finalmente começa para Áustria e Jordânia, duas seleções que respiram história nesta estreia no Grupo J. De um lado, a Áustria de Ralf Rangnick, de volta ao palco principal depois de quase três décadas. Do outro, a Jordânia, estreante absoluta em Mundiais, com uma torcida que já vibra só de estar aqui. E o mercado, ao colocar a Áustria como favorita isolada, pode estar deixando escapar um detalhe crucial: esse jogo tem cara de jogo duro, de poucos gols e margem estreita.
O peso da ausência de Baumgartner
Christoph Baumgartner está fora da Copa. Uma lesão na coxa direita, sentida ainda no aquecimento do amistoso contra a Tunísia, tirou do torneio o principal homem de articulação ofensiva da Áustria. Rangnick não escondeu o baque: chamou a perda de 'amarga' e reconheceu que Baumgartner era peça-chave na pressão alta, nas infiltrações e nos gols de segunda linha. Sem ele, o ataque austríaco perde um elemento de surpresa e profundidade que nenhum outro jogador no elenco reproduz com a mesma eficiência.
E os números dos últimos jogos da Áustria contam uma história clara. Nos três compromissos mais recentes — vitórias por 1 a 0 sobre Tunísia e Coreia do Sul, e um 1 a 1 com a Bósnia — a seleção de Rangnick marcou apenas três gols. Nenhuma dessas partidas foi vencida por mais de um gol de diferença. A Áustria dominou, sim, mas não atropelou. E esses foram jogos contra adversários do porte de Tunísia e Coreia do Sul, não contra uma Jordânia que vem se mostrando organizada e competitiva.
A resistência jordaniana é real
A Jordânia que pisa no estádio de Santa Clara não é um mero coadjuvante. O técnico Sellami tratou a partida como histórica, mas não cerimonial: quer resultado. A equipe mostrou caráter nos amistosos, arrancando empates com Nigéria (2 a 2) e Costa Rica (2 a 2), mesmo depois de estar em desvantagem. Contra a Colômbia, perdeu por 2 a 0, mas foi competitiva até o segundo gol. Contra a Suíça, levou 4 a 1, mas fez um gol e criou chances.
Mais importante: a Jordânia tem Mousa Al-Taamari. O atacante é o tipo de jogador que pode decidir uma jogada sozinho, seja em uma arrancada em velocidade, seja em um lance de criatividade. Com as lesões de Al-Naimat e Sabra, a responsabilidade ofensiva recai ainda mais sobre ele, mas Al-Taamari já mostrou que consegue carregar o time. Além disso, a defesa jordaniana é disciplinada e compacta, exatamente o tipo de barreira que uma Áustria sem seu principal criador pode ter dificuldade de quebrar.
O cenário e a motivação em campo
O contexto do grupo também joga a favor da ideia de um jogo truncado. Áustria e Jordânia sabem que Argentina e Algéria vêm depois. Para a Áustria, vencer é obrigação, mas qualquer deslize pode custar caro. Rangnick já disse que a equipe precisa tratar a partida como uma final. Isso significa responsabilidade, mas também pode gerar ansiedade. A Jordânia, por sua vez, não tem nada a perder. Uma derrota por um gol de diferença já seria um resultado aceitável diante de um favorito europeu; um empate, uma festa.
O clima ameno da Califórnia não deve favorecer ninguém. O gramado estará bom, o estádio deve ter boa presença de público. O que se desenha é um duelo tático, com a Áustria tendo a bola e a Jordânia se protegendo e saindo nos contra-ataques. Não parece o roteiro de uma goleada.








